Lágrimas de pedra


Este final de semana eu chorei.
Chorei lágrimas de encantamento e de vergonha.
Chorei lágrimas secas.
Como rios de pedras que corriam dentro de mim.
Ninguém viu.
Mas eu chorei.

Chorei porque tive vergonha.
Tive vergonha de ser quem eu sou.
Vergonha de ser civilizada.
Vergonha de ver o que os meus iguais estão fazendo deste mundo.
Desmatamento. Poluição. Violência. Desrespeito.
Senti pena de mim.
Pena de nós.
Pena do mundo.
E chorei.

Ouvindo num documentário os índios
Pude sentir sua sabedoria.
Sua calma.
Sua total integração e respeito com a natureza.
Com cada bicho.
Cada gota d'água.
Cada árvore.

O índio é o lugar onde vive.
A dor de uma árvore arrancada
É a dor de um membro seu decepado do corpo.
Uma simbiose absoluta e fantástica.
Que nós, os homens brancos, não compreendemos.
Não respeitamos.
E pagamos caro por isso.

Tive vergonha da minha raça.
Que degrada tudo por onde passa.
Como se fôssemos Midas, mas da destruição.
Tudo o que tocamos, destruimos.
E chamamos a esta destruição PROGRESSO.

Queria ser índio!
Ter a alma pura.
Ouvir a natureza.
Beber do rio manso.
Dividir, partilhar.
Festejar cada novo dia.
E morrer em paz.
Sabedora do meu dever cumprido.

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