A Geladeira


Os capitalistas, os donos do mundo
não conhecerão esta pura alegria.
Esperar a geladeira nova
e a geladeira nova chegar.
O caminhão que para, o vulto branco que desce,
o cuidado do homem rude que nunca a possuirá,
uma faísca de sol nos metais de fecho de abrir,
os meninos que param em roda do caminhão, assistindo,
e eu, de camarote, da sacada do apartamento
assistindo.
Os capitalistas não conhecerão esta pura alegria:
esperar a geladeira
a geladeira de sete pés, branca e iluminada
que afinal chegou.
Agora haverá coca-cola, crush, e água gelada pra visita
e pavê de chocolate, e quanta coisa gostosa
que o frio preservará com seu sopro imortal.
O dial da geladeira  não faz jorrar música
mas fala inglês: "defrost, fast, freese, box";
Gosto de abrir a geladeira, ela se acende toda quando eu a toco,
fica festiva, bela e alegre, na sua brancura imaculada
e nos seus metais rebrilhando.
Sinto o hálito frio que me envolve o rosto
me apanha as mãos,
e uma emoção primária de conforto me dissolve
quando ela se abre para mim, feliz e sortida
nas suas entranhas burguesas.
Esta pura alegria, esta higiênica alegria
não sentirão os capitalistas,
é privilégio dos que vem de baixo, escalando a vida como alpinistas,
para encontrar a neve e o frio das alturas
na sua geladeira branca e cheia de sol!

(Poema de J. G. de Araújo Jorge  extraído do livro A Outra Face   - 1949)

Arvorecendo


"Sinto que estou arvorecendo: raízes cravadas no chão, casca grossa, protegendo minha essência e cabeça nas nuvens... Não acho que isto seja ruim, mas não é o que esperavam de mim... Queriam que eu fosse arbusto. Pequeno, frágil, rasteiro. Mas o arbusto de tão bobo, de tão casto, é pisado, vira pasto. E para isto eu não me presto."

(Elís Cândido/março de 2012)

Aquarelas

Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade - Rio Claro - SP
O amanhecer de uma árvore,
no seio quente da floresta,
espreguiçando seus longos troncos,
balançando as folhas em festa,
faz cantar a passarada
e murmurar o rio manso.
Faz o sol brilhar mais forte
e o céu se azular.
Cada árvore amanhecida,
é promessa nova de vida,
é morada, é abrigo,
alimento e proteção,
é afago a minha alma,
e acalento ao coração.

(Elís Cândido/março de 2012)


Um Pouco de Cor e de Beleza

Romero Britto - Penelope Of The Modern Days 1995
(imagem retirada do site oficial do artista)

Frases e Pensamentos


"Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar"
(Texto e imagem retirados do blog Sente-se o Mar)