Folia Nacional












Carnaval Festa Profana,
das carnes e da fartura,
da alegria e da euforia.
Carnaval da terça gorda,
que antecede ao sofrimento,
às cinzas e ao jejum.
Carnaval, suor e samba,
entrudo e limão de cheiro,
folia e ziriguidum,
da mulata escultural,
de Pernambuco ao Rio de Janeiro,
Patrimônio Cultural.
Me perdoem os franceses
e a beleza de Veneza,
mascarada com requinte,
mas não há no mundo inteiro,
Carnaval mais verdadeiro,
do que este do Brasil,
com confete e serpentina,
frevo, maracatu e timbalada
e nossa gente animada,
sob o céu azul anil.

(Elís Cândido/fevereiro de 2012)

Semana de Arte Moderna


A Semana de Arte Moderna foi uma explosão de idéias inovadoras, que aboliam por completo a perfeição estética tão apreciada no século XIX. Mas todo novo movimento artístico é uma ruptura com os padrões utilizados pelo movimento anterior e nem sempre o novo é bem aceito, o que ficou bastante evidente no caso do Modernismo, que, a principio, chocou por fugir completamente da estética européia tradicional.
Na Semana de 22, nossos artistas demonstraram que buscavam identidade própria e liberdade de expressão. Com este propósito, experimentavam diferentes caminhos sem definir nenhum padrão. Isto culminou com a incompreensão e com a completa insatisfação de grande parte dos que foram assistir a este novo movimento.
Durante a leitura do poema "Os Sapos", de Manuel Bandeira (leitura feita por Ronald de Carvalho), o público presente no Teatro Municipal fez coro e atrapalhou a leitura, mostrando desta forma sua desaprovação. As críticas foram severas também em relação às artes plásticas, como já demonstrado nos posts anteriores. E também a música não foi poupada.
Durante três dias houve muitas apresentações musicais. Além de Villa-Lobos, foram interpretadas obras de Debussy, por Guiomar Novaes, e obras de Eric Satie, por Ernani Braga, o qual também interpretou "A Fiandeira", de Villa-Lobos.
Mas, Villa-Lobos foi, sem dúvida, um dos mais importantes e atuantes participantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Ele apresentou uma série de três espetáculos. A atitude do público para com Villa-Lobos é, a princípio, mais respeitosa, se comparada aos coaxos e vaias dispensados a Oswald de Andrade e ao poema "Os Sapos", de Manuel Bandeira. Mas durante um dos concertos ele foi ridicularizado diversas vezes, pois torcera um pé e entra no palco a coxear, de casaca e calçando sapato em um pé e chinelo no outro. A multidão acompanha-lhe o passo, marcando o ritmo exato do pé doente...
Embora tenha sido alvo de muitas críticas, a Semana de Arte Moderna só foi adquirir sua real importância ao inserir suas idéias ao longo do tempo. O movimento modernista continuou a expandir-se por divulgações através da Revista Antropofágica e da Revista Klaxon, e também pelos seguintes movimentos: Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento Antropofágico.
O Chovendo Letras, através de uma semana inteira de postagens que tentaram reproduzir os fatos acontecidos na Semana de 22, deixa aqui a homenagem a este movimento tão importante para a descoberta de novos rumos, verdadeiramente brasileiros, para a nossa cultura, tão vasta e diversificada. E que fique o registro: SIM! Nós temos TALENTO!


Semana de Arte Moderna

15/02 - A noite que celebrizou a semana começa com um discurso de Menotti del Picchia sobre romancistas contemporâneos, acompanhado por leitura de poesias e números de dança. É aplaudido. Mas, quando foi anunciado Oswald de Andrade, começaram as vaias e insultos na platéia, que só param quando sobe ao palco a aclamada pianista Guiomar Novaes. Observem as críticas na reprodução acima. (Fonte:http://www.febf.uerj.br/pesquisa/semana_22.html)
Segue abaixo o poema "Os Sapos", de Manuel Bandeira, que não compareceu ao evento, mas enviou seu texto para que fosse apresentado:


Os Sapos

Enfunando os papos, 
Saem da penumbra, 
Aos pulos, os sapos. 
A luz os deslumbra. 

Em ronco que aterra, 
Berra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi à guerra!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 

O sapo-tanoeiro, 
Parnasiano aguado, 
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado. 

Vede como primo 
Em comer os hiatos! 
Que arte! E nunca rimo 
Os termos cognatos. 

O meu verso é bom 
Frumento sem joio. 
Faço rimas com 
Consoantes de apoio. 

Vai por cinquüenta anos 
Que lhes dei a norma: 
Reduzi sem danos 
A fôrmas a forma. 

Clame a saparia 
Em críticas céticas:
Não há mais poesia, 
Mas há artes poéticas..." 

Urra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 

Brada em um assomo 
O sapo-tanoeiro: 
- A grande arte é como 
Lavor de joalheiro. 

Ou bem de estatuário. 
Tudo quanto é belo, 
Tudo quanto é vário, 
Canta no martelo". 

Outros, sapos-pipas 
(Um mal em si cabe), 
Falam pelas tripas, 
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!". 

Longe dessa grita, 
Lá onde mais densa 
A noite infinita 
Veste a sombra imensa; 

Lá, fugido ao mundo, 
Sem glória, sem fé, 
No perau profundo 
E solitário, é 

Que soluças tu, 
Transido de frio, 
Sapo-cururu 
Da beira do rio...

(Manuel Bandeira)

Semana de Arte Moderna


Durante a Semana de 22, diversos poetas, pintores, músicos, entre outros artistas, expuseram e apresentaram suas criações artísticas. As reações aos artistas e às vanguardas foram das mais diversas, e tiveram forte repercussão nos jornais e folhetins da época.
Destaco abaixo dois fragmentos destas críticas, com visões diferentes das exposições e das propostas dos modernistas apresentadas.

TEXTO 1 - Talentos Desvairados
“(…) Conta-se que uma senhora, ao visitar as telas expostas, se impressionou, ou, melhor, ficou intrigada diante de duas, que não conseguiu absolutamente compreender. Pediu informações a um dos iniciados do novo credo estético, para que lhe fosse explicado o assunto das duas telas. O iluminado moço não lhe pôde responder de pronto, mas, informando-se com outros, explicou à curiosa dama: ‘Uma das telas representa Vênus nascendo da espuma do mar; outra é um retrato físico de Oswaldo de Andrade’.
A dificuldade, porém, consistia em saber qual a que representava Vênus e qual o Oswaldo…” (…)

TEXTO 2 - As Três “Serate” Futuristas
“Futurismo? Não. Simplesmente um ato de rebelião contra tudo aquilo que constitui idolatria pelo passado; pelos centros da arte, em todas as suas diferentes manifestações do passado.
Era hora de agitar. Era hora de lançar o grito de audácia e da nova luta; era hora de arriscar-se, com bravura e com a cabeça erguida, no carrossel do verbo novo e renovador.
Futurismo? Não. Nada de futurismo se vocês entendem por futurismo tudo aquilo que representa insulto à arte.
Futurismo, sim, se futurismo signifique um desafio majestoso, altaneiro, orgulhoso ao desgaste das velhas formas.” (…)

A favor da Semana estiveram jornais como Jornal do Commercio, Correio Paulistano e A Garoa. Em um dos artigos de Oswald de Andrade - Boxeurs na Arena, de 13 de fevereiro de 1922 -podemos perceber como ele se posicionava e como sabia, de antemão, tudo o que poderia acontecer no Teatro Municipal paulista. "...Nós, pelo acolhimento da platéia de hoje, julgaremos da cultura de nosso povo. Pois, sabemos, com Jean Cocteau, que quando uma obra de arte parece avançada sobre o seu tempo, ele é que de fato anda atrasado", escreveu Oswald.

Continuaremos amanhã, com poesia e literatura...

Semana de Arte Moderna

     Por mais de uma vez, aqui no Chovendo Letras, expliquei a relação que vejo entre as palavras escritas e a arte. Ambas são uma forma de expressão. Através da Arte, seja na música, na pintura, na escultura, tenta-se repassar sentimentos que podem ser também transformados em palavras. A partir desta linha de pensamento, durante toda esta semana, destacarei aqui no blog pequenos posts em homenagem a Semana de Arte Moderna de 1922.
     A Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22 representou uma verdadeira renovação de linguagem, na busca de experimentação, na liberdade criadora da ruptura com o passado, pois a arte passou então da vanguarda, para o modernismo. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos. Aconteceu nos dias 13,15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal, em São Paulo. Cada dia da semana foi dedicado a um tema: respectivamente, pintura e escultura, poesia, literatura e música. (Fonte: Wikipédia)
     Hoje, dia 13 de fevereiro, escolhi algumas imagens de artistas que participaram do evento:
Catálogo do Evento - Di Cavalcanti

Antropofagia - Tarsila do Amaral

O Farol - Anitta Malfatti


Diana Caçadora - escultura de Victor Brecheret

     Como tudo o que é novo, as obras mostradas na abertura do evento não foram bem aceitas e os jornais do dia seguinte traziam duras críticas aos artistas. Mas isto é assunto para amanhã...