Estou vivendo o tempo da estiagem.
Uma seca severa me assola
e não há inspiração.
Faltam-me as palavras.
A chuva de letras que alagava minha alma
há muito não cai.
E tudo o que há é o silêncio.
Olho o céu a procura das nuvens,
mas elas não estão lá.
Espero...
Sei que elas voltarão
e com elas as palavras.
Palavras que me definem.
Sem elas, sou um deserto,
amarelado e sem vida.
Estiagem...
Já sinto falta de mim.
(Elís Cândido/dezembro de 2011)
Promessas
uma vida que eu não tive.
Me prometeram
um amor que não existe.
Me prometeram
um jardim que não brotou.
Me prometeram o sol,
mas ainda é noite.
Prometam nunca mais me prometer nada...
Andanças
Nunca andei tanto assim,
como tenho andado,
à procura de mim...
Tanto chão, tanta estrada,
tanto passo, caminhada,
carregando este fardo
de não ter o que levar.
Levo o nada,
em minh'alma já cansada,
deste longo caminhar.
(Elís Cândido/novembro de 2011)
como tenho andado,
à procura de mim...
Tanto chão, tanta estrada,
tanto passo, caminhada,
carregando este fardo
de não ter o que levar.
Levo o nada,
em minh'alma já cansada,
deste longo caminhar.
(Elís Cândido/novembro de 2011)
A Despedida
Eu também já estou indo. É chegado o tempo da partida. Não há nada mais que me obrigue a ficar. As crianças estão crescidas, a casa organizada, as plantas com boas raízes... Tudo parece caminhar muito bem sem mim. Na verdade, às vezes, acho mesmo que até atrapalho! Os meus passos lentos pela casa, a memória um pouco curta, as mesmas frases repetidas tantas vezes...
Neste dia-a-dia tão igual, tento achar alguma coisa para a qual eu seja importante, mas sei que é difícil. Até mesmo a cozinha, lugar onde eu era soberana, já não me pertence mais. Dei lugar aos eletrodomésticos sofisticados, que fazem tudo o que eu fazia no apertar de um botão! As comidas congeladas, os temperos prontos, os sucos na caixinha... Não sou útil para espremer uma laranja!
Os meninos até que tentam conversar, mas não sou tão moderninha... Não entendo seus computadores, seus videogames, seus aparelhinhos de ouvir músicas, tudo tão pequeno que tenho medo até de tocar!
Sinto falta do meu tempo. Das minhas panelas, dos meus afazeres, meus bichos no quintal, minhas plantas no jardim, a vizinhança papeando no portão no fim da tarde... Sinto falta de um tempo que não vai mais voltar. De uma realidade que era apenas minha e que se perdeu entre os ponteiros dos relógios. Sinto falta do meu amor, amor e companhia de uma vida inteira!
Então, por mais que eu esteja bem com vocês, sinto que meu lugar não é aqui. Sinto que não há lugar para mim. Em lugar algum. De parte alguma. Eu já não pertenço a este tempo. Neste caso, devo ir.
Portanto, não há motivos para tristezas. Não há porque chorar! Vou me encontrar comigo mesma. Vou estar no lugar certo. Vou estar bem.
Só não vou mais estar aqui.
Abraços a todos os que ainda ficam.
(Elís Cândido/novembro de 2011)
Devaneio
Passarinho na janela
me lembrou que a vida é bela
e não preciso mais chorar!
Passarinho tão bonito,
alçou voo ao infinito,
me deixando a suspirar.
Volte logo, passarinho,
em meu peito faz teu ninho,
me ensina a acreditar!
Faz-me crer que a vida é bela,
e vai além desta janela,
que o céu é o limite,
para quem tenta voar!
(Elís Cândido/novembro de 2011)
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