Butterfly


Sou como a borboleta triste
que desiste de voar.
Sou igual à borboleta
que, alada, já não voa.
A tristeza faz-se um peso
e me impede o alçar.
Sou uma pobre borboleta!
Colorida!
Tão bonita!
Impedida de voar!

(Elís Cândido/outubro de 2011)

O Cortejo Fúnebre

Descia lento pela alameda
numa cadência quase ritmada
lamentos tristes se ouviam ao longe
como uma canção mal terminada.

Seguia em frente o cortejo
juntando gente à caminhada
em direção ao sepulcro
no cemitério da velha estrada.

Choravam lamentos pequenos
pequenos soluços escapavam
enquanto, a passos lentos,
do final se aproximavam.

Crianças corriam ao redor
com a inocência de quem não sabe o que faz,
davam graça ao momento,
talvez um pouco de paz.

Havia uma certa beleza
e até um certo ritual
com adeus da família, dos amigos,
neste cortejo final.

Deitado nos braços da terra,
como semente lançada ao chão,
deixou sua  casa vazia
sem o pai, o amigo, o irmão.

Triste é esta caminhada
em direção à velha estrada,
levando nas mãos uma vida,
subindo de volta sem nada.

(Elís Cândido/outubro de 2011)

Frases e Pensamentos...



"Sábios são aqueles que conseguem dizer TUDO mesmo quando não dizem NADA."

(Elís Cândido/outubro de 2011)

Ao irmão que tive...


Adeus ao irmão que tive.
E que não tenho mais.
Foi-me roubado ainda na infância.
Sem que nada me perguntassem.
Sem saber se doeria.
Ou da falta que me faria.
Sem nenhuma condolência.
Apenas o levaram.
Levando junto parte de mim.
E a essência dos meus pais.
Sobraram duas almas sem vida.
Cujos olhos não tinham brilho.
Brilhavam antes, eu bem me lembro...
Mas depois que ele se foi,
foram-se embora os sorrisos.
Ficando apenas o vazio.
E uma casa preenchida de ausência.
Que falta ainda me faz este irmão que tive.
E que não tenho mais.
Quanta falta ainda faz!

(Elís Cândido/13 de outubro de 2011)

Tempestades


Sinto meu estômago revirar
como se navegasse em águas bravias.
Meu corpo se retorce e os ossos reclamam
como esqueletos descobertos pelos ventos do deserto.
A garganta arranha sons que saem como grunhidos.
Esqueci as palavras.
Raios e trovões ecoam em minha cabeça
nesta tempestade interna que teima em não passar.
Quando virá a calmaria?
Já não sei se resisto.
Se insisto.
Se desisto.
Se existo.
Já não sei mais.

(Elís Cândido/outubro de 2011)