Tempestades


Sinto meu estômago revirar
como se navegasse em águas bravias.
Meu corpo se retorce e os ossos reclamam
como esqueletos descobertos pelos ventos do deserto.
A garganta arranha sons que saem como grunhidos.
Esqueci as palavras.
Raios e trovões ecoam em minha cabeça
nesta tempestade interna que teima em não passar.
Quando virá a calmaria?
Já não sei se resisto.
Se insisto.
Se desisto.
Se existo.
Já não sei mais.

(Elís Cândido/outubro de 2011)

O Estranho

Quem é esta pessoa,
que agora ronda a minha vida?
Quem é este personagem
Esta figura
Quem é você?
Onde está aquele outro homem?
Aquele que eu amava
E conhecia tão bem?
Para onde ele se foi?
Olho dentro dos teus olhos,
mas não o vejo mais.
Vejo apenas este estranho.
E não me acostumo com ele.
Sua presença me incomoda.
Quero ir, mas não posso.
Preciso ficar aqui.
Cuidar da nossa casa,
da nossa vida,
das nossas coisas...
Para quando você voltar.

(Elís Cândido/setembro de 2011)

Surdez

Não consigo ouvir mais nada!
Não ouço as vozes do mundo
que gritam ao meu redor.
Não escuto o cantar alegre dos passarinhos
que brincam na minha janela.
As canções de amor  emudeceram.
Tudo o que ouço é o silêncio.
Um silêncio enorme.
Sufocante,
feito uma nuvem densa e cinza,
dançando em volta de mim.
Fecho meus olhos e sinto meu coração bater com força.
Fico aqui e espero esta nuvem passar...

(Elís Cândido/setembro de 2011)

Insônia

Meus filhos dormem.
Os cães dormem.
A casa toda parece dormir.
Apenas eu estou condenada a vagar...
Ouço os ruidos da noite,
e vejo as sombras na janela.
Caminho às cegas pela casa.
Esperando amanhecer um novo dia...
Longa é a noite que me espera!
Quando me deito e não consigo dormir.

(Elís Cândido/setembro de 2011)

Distâncias


O que houve entre nós?
Que distância é esta
que se impôs como paredes blindadas
E que já não nos deixa ver
o amor que ali havia antes.
Antes das brigas
Antes da espera
Antes do nada
Que agora habita entre nós

Não sobrou nada
Nem cacos
Ou brigas
Ou palavras a serem ditas
Já as dissemos todas
Há somente esta distância incômoda
Medindo a nossa falta de amor.

(Elís Cândido/setembro de 2011)