Fiquem quietos...
Escutem o que te falam os ventos.
Parem!
Ouçam os teus pensamentos...
Ou os meus,
ou os dela.
Ouçam!
Às vezes falamos demais!
Gritamos demais.
Corremos demais.
Para quê?
Para onde?
Calma!
Façamos silêncio!
E deixemos falar apenas os nossos corações.
Descansemos os nossos pés,
já calejados pelas andanças diárias.
Vamos olhar a lua!
Ou quem sabe, então, cantemos!
Canções que falem de paz e de amor...
E, embalados por elas,
poderemos rodopiar por uma noite inteira!
Feito crianças...
Pelo menos esta noite...
(Elís Cândido/agosto de 2011)
Intolerâncias
Será que só eu sinto
esta raiva que me consome.
Esta intolerância desmedida?!
Será que apenas eu me irrito
e quero gritar ao mundo
que está tudo errado.
Que já chegamos ao fundo?!
Chega!
Não agüento mais!
Me cansei da humanidade.
Me cansei das máscaras.
Das desculpas.
Dos desmandos.
Dos descasos.
Dos descompromissos.
Da falta de amor.
Já não consigo ouvir o cantar da passarada!
Minha cabeça anda lotada
de vozes que me sussurram palavras de ordem.
Me sinto um robô
Quero me desfazer do maquinário.
Sair de cena.
Retirar a indumentária
e não dizer as mesmas palavras ensaiadas.
Gastas.
Surradas.
Palavras que já não me dizem nada!
Chega!
Será que só para mim
que a vida anda assim?!
(Elís Cândido/agosto de 2011)
esta raiva que me consome.
Esta intolerância desmedida?!
Será que apenas eu me irrito
e quero gritar ao mundo
que está tudo errado.
Que já chegamos ao fundo?!
Chega!
Não agüento mais!
Me cansei da humanidade.
Me cansei das máscaras.
Das desculpas.
Dos desmandos.
Dos descasos.
Dos descompromissos.
Da falta de amor.
Já não consigo ouvir o cantar da passarada!
Minha cabeça anda lotada
de vozes que me sussurram palavras de ordem.
Me sinto um robô
Quero me desfazer do maquinário.
Sair de cena.
Retirar a indumentária
e não dizer as mesmas palavras ensaiadas.
Gastas.
Surradas.
Palavras que já não me dizem nada!
Chega!
Será que só para mim
que a vida anda assim?!
(Elís Cândido/agosto de 2011)
O Tempo Roubado ou o Tempo Vivido?
O tempo passa...
E Ele passa tão rápido, que às vezes nem percebo seu passar. Mas ele caminha a passos largos, segue veloz, ceifando meus minutos futuros.
Queria poder ser amiga do tempo. Queria não lutar com ele, ou contra ele.
Mas ele teima em levar embora a minha juventude, os meus sonhos... teima em fazer dos meus filhos, ontem mesmo tão pequenos e indefesos, hoje jovens crescidos e corajosos, sem medo de nada, sem medo da vida, sem noção do tempo. Eles acham que têm muito tempo... Mas o tempo caminha veloz para eles também!
Minha doce menina, que nunca quis ser bailarina, hoje sonha com trabalhos e carreira, sonha em conquistar o mundo e uma tal "independência"...
Meu pequeno sonhador, sofre as dúvidas de uma adolescência perversa, que massacra aqueles que são diferentes, inseguros, de alma pura e coração aberto. O mundo cobra que ele seja igual a todos: frio, levado por interesses superficiais, "inoxidável".
Sim! O tempo passa para eles. Eles só não percebem, ainda.
Mas eu não tenho como fingir que não o percebo. Ele, o tempo, deixou marcas em mim. Não apenas as marcas que surgem teimosas no meu rosto, não somente os meus cabelos que se tingiram de branco... Ele me deixou outras marcas, bem mais profundas. Fazem parte de mim hoje todas as lembranças daqueles que já não compartilham mais desta vida comigo, as saudades dos sorrisos e das aventuras, as dores de todas as decepções, traições, as culpas por todos os erros cometidos... Bagagens que o tempo me deixou de herança!
Quando tento me reconciliar com ele, ouço atentamente quando ele diz que estas lembranças são parte da minha evolução, do meu crescimento espiritual. Ele me diz que aprendi a cada tropeço. Que fiquei mais forte cada vez que me reergui. Que ele me recompensa com sabedoria e complacência cada ruga surgida em minha face... Ele me diz que não devo enxergá-lo como um Tempo Roubado de mim, mas sim como Tempo Vivido. Como ganhos e não como perdas...
Às vezes até acho que ele tem razão. Afinal, o tempo já é tão velho que deve ser sábio! Quem sou eu para discutir com ele!
Mas em outros dias, queria mesmo era driblar o tempo! Voltar a ser uma garota sem preocupações, com meus pais ao meu lado ditando o caminho, com as gargalhadas na saída da escola, com os amores sem compromisso...
Só que neste exato momento uma coisa me faz sair deste devaneio e voltar à realidade: é meu filho que saiu do banho e mais uma vez esqueceu da toalha! MÃÃÃEEE!!
Esta sou eu! Não mais a menina... Não mais sem compromissos... Não mais! Meu tempo agora é outro. É este!
Eu sou A MÃE. É esta quem eu sou e esta quem quero ser! Quero ser aquela de quem os meus filhos irão se lembrar quando este senhor chamado tempo tiver passado para eles também. Quero ser a saudade boa, a presença constante, a certeza do afeto... Quero ser a lembrança gostosa que nada pode apagar, nem mesmo ele, o tempo! Se há uma coisa que eu aprendi com o passar destes anos, é que há coisas que o tempo muda, há coisas que o tempo leva, mas nada consegue mudar o amor de uma mãe pelos seus filhos.
(Elís Cândido/julho de 2011)
Matrioska
Sou uma mulher dentro de muitas outras mulheres... Sou muitas mulheres dentro de uma mulher.
Sou Matrioska!
Preciso a cada dia ter a coragem de me desfazer de uma casca e deixar à mostra um novo EU. Pois sei que posso ser muitas. Ter muitas caras, faces, muitas cores. Posso ser a bela e a fera. Posso fazer sorrir e fazer chorar. Posso superar tudo, pois sempre haverá em mim uma nova mulher, pronta para recomeçar.
Dentro de mim há ainda muita coisa que eu mesma não conheço. A cada viagem interior me descubro diferente... É preciso ter muita coragem para abandonar a proteção que temos, deixar de lado os padrões e ir de encontro a novos rumos. Mas eu sou assim! Não sei ser a mesma sempre. Minha certeza de hoje é minha dúvida de amanhã. Volúvel? Não! Verdadeira.
Não tenho que saber tudo sempre. Que acertar sempre. Que responder sempre da mesma maneira às velhas e surradas perguntas. Eu posso mudar! Quero sempre mudar. Quero sempre aprender um pouco mais com as experiências que vivo. Quero quebrar as minhas próprias regras e rever os meus conceitos. Quero ser Matrioska!
Sei que tenho muito em mim. Que possuo tesouros guardados tão profundamente que até eu os desconheço. Me surpreendo ao perceber que posso mais do que imaginava. Que sei mais do que imaginava. Que imagino mais do que imaginava!
Esta viagem rumo ao novo ser que habita em mim me faz crescer. Me faz evoluir. Impede que eu me torne apenas um produto do meio... mais uma mulher em meio a tantas outras.
Eu escolho ser assim:
Matrioska!
(Elís Cândido/julho de 2011)
Alegria de Criança
| imagem retirada de www.blogchowrio.com.br |
Plic! Ploc! Plum!
Redondas e coloridas
elas sobem e voltam ao chão,
tão alegres e divertidas
são as bolas de sabão!
Plic! Ploc! Plum!
Em canudinhos de mamonas
ou pedaços de mangueira
um bocado de sabão
inicia a brincadeira!
Plic! Ploc! Plum!
Basta então um sopro leve
Basta então um sopro leve
que elas surgem, ganham vida.
E o morro vira uma festa
com a molecada enlouquecida!
(Elís Cândido/julho de 2011)
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