Pequeninices

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"Por mais quente e seco que o cerrado seja, ele sempre carrega um pouco de beleza. Por mais bruto que o cacto seja, ele sempre carrega sua família numa flor."

(escrito por Caio Cândido, meu filho de 11 anos, para seu Pai Beto)

Manequim

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Sinto que estou presa
Fui embalada
A vácuo

Aqui nesta embalagem
Não há ar
Não respiro

Estou acondicionada
E não posso me mover
Então fico

Fico e observo o mundo
Através da transparência
Do vidro que me condena

Queria me libertar
Deste lacre inviolável
Vazar, escorrer...

Mas não consigo
Me faltam forças
Então fico.

Ninguém percebe
Ninguém nota.
Iguais a mim
existem muitos na vitrine.

(Elís Cândido/abril de 2011)

Fim do Encanto e da Magia...


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Nas frias portas da noite
Olho o céu,
Contorno estrelas,
Afago a lua...
Meus pensamentos dançam
Pela imensidão do teu desamor,
E da tua fria indiferença,
Desatando fantasias...
Dissolvendo promessas
Hoje tão vazias,
Tão sem nexo ...
Rompe-se o encanto...
Desfaz-se a magia...
Abrem-se as cortinas,
Faz-se luz
Dentro de mim...
E meu ser tão fragilizado,
Num movimento da alma
Sobrevive à tempestade...
Erguendo-se aos poucos,
Ensaia suaves passos
Em busca de um novo amanhã
E de um novo amar...
(retirado do blog varandasazuis)

Esquecendo...


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Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

(Fernando Pessoa)

As Estações da Vida

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As vezes acho que os seres humanos e a natureza têm mais em comum do que se imagina...
Somos tão parecidos! Temos ciclos, períodos férteis, mudanças de temperatura e clima (ou temperamento  e humor). E ambos temos estações.
A natureza tem os seus verões, primaveras, outonos e invernos. A cada estação tudo muda, ganha novas formas, novas cores, odores, significados. Tudo ganha novo sentido.
Nós também somos assim. Temos, ao longo da vida, fases que muito se parecem com as estações do ano. São as estações da vida!
Quando somos crianças, na nossa infância, tudo é calor, movimento, agitação, despreocupação, contemplação. Uma sensação leve e gostosa toma conta da gente e nos convida a viver, a aproveitar cada minuto!
Na adolescência, nossa primavera, é a hora de desabrochar, ganhar textura, sensualidade, aromas, cores. É a hora de descobrir e de experimentar. Uma profusão de sensações.
Quando amadurecemos e chegamos a idade adulta, vivenciamos a fase dourada do outono. Morno e manso, nos trazendo a luz e a racionalidade. É a estação da colheita, onde os frutos plantados serão colhidos. Onde haverá fartura para os que souberam vivenciar a primavera, sem se deixar perder em seus deleites, seus encantos.
Na maturidade, invernamos. Os dias já não são tão quentes e calientes, as cores já não nos atraem tanto. Preferimos o sossego e a segurança ao lado daqueles a quem amamos. É a estação do aconchego, do estar junto. Dos silêncios repletos de beleza e significado. É contemplação.
Como na natureza, fatores externos podem interferir nas estações da vida. Podemos ter dias tristes e frios em pleno verão. Podemos ter inundações de sentimentos e de lágrimas em momentos de estiagem. Podemos crescer frutos estéreis em plena colheita.
Pode não correr tudo sempre como nos calendários. Alguns invernos podem durar mais e outros menos...
Mas, se observarmos a natureza, vamos aprender que ela sempre encontra uma saída. Ela sempre se refaz, se reestrutura. Podem vir as tempestades. As secas. As geadas. Ela sempre se recupera, mesmo que demore anos.
Se observarmos a natureza, se pelo menos por algumas vezes, nós prestássemos um pouco de atenção nela, veríamos que ela nos ensina todos os dias. Como uma mãe zelosa e paciente, que nos mostra o caminho, dando exemplos, ela nos ensina todos os dias.
Sejamos obedientes. Façamos então a lição de casa!

(Elís Cândido/abril de 2011)