O Nevoeiro

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Uma tristeza enorme tomou conta de mim
Densa e fria como um nevoeiro
Embaçou os meus olhos
Já não enxergo as cores
Não percebo o sol
Nem minha imagem no espelho.

Este nevoeiro
Não me deixa respirar
Quanto mais aspiro
Mais sufoco
Quanto mais anseio a vida
Mais próxima fico da morte.

Melhor então ficar quieta.
Me encolher dentro de mim
Como caramujo
Em segurança e só
E esperar que ele se vá.


(Elís Cândido/ março de 2011)

Cativo














A tristeza
Tomou conta de mim
Me envolveu com seu abraço
Escureceu o meu redor
E criou raiz.


Minha respiração virou suspiro
Meu falar virou lamento
Meu viver tornou-se angústia
E os meus dias um tormento.


Ela é meu vício
Meu ópio
E embriaguez.


Sou seu refém
Estou cativo dentro de mim
E me deixo ficar
Pois já não sei viver sem ela.


Afinal,
Somos tudo o que restou:
O silêncio.
A escuridão.
A tristeza.
E eu.

(Elís Cândido/ para Frederico Sijhad e todos os que fazem da tristeza poesia)

Andarilho


Longos são os caminhos da vida
Quilômetros a percorrer
Milhas já caminhadas
E intermináveis tropeços
               Muitas pedras no chão
               Buracos, poças, atoleiros.
               Tanta gente na contramão...
               Matagais e espinheiros.
                                Mas o bom andarilho não se cansa
                                Não se deixa vencer
                                Sacode a poeira dos ombros
                                E vai.
                                                 Talvez nem saiba para onde.
                                                 Talvez ninguém o espere.
                                                  Mas a estrada é a sua vida.
                                                  Ela, as noites e os dias.
                                 Seu coração andejo
                                 Sedento de chão
                                 Aponta o Norte
                                 Sempre mais adiante
            Então ele vai.
            Leva nos ombros lembranças
            Do tempo vivido (distante!)
            No coração um amor
            Motivo de ser um errante.
Neste caminho sem fim
Seus pés descalços já não queimam
Só sua alma é que chora
Por não saber onde ir
E mesmo assim ir-se embora.
                       

(Elís Cândido/para Anderson Yutaka e todos os que ainda procuram seu lugar no mundo)

O menino e o escuro














Porque este medo do escuro?
O que te assusta?
Meu pequeno menino

Monstros e feras?
Buracos no tempo?

O que não te deixa dormir?

Fecha os teus olhos com força
e se agarra no teu ursinho
Pensa que és um valente
um super-herói, um mocinho

E espanta pra longe este medo
que iniste em te dominar

Mas, se no meio da noite
ele teimar em voltar
foge pro meu abraço
que aqui ninguém vai te pegar

Dorme com Deus, meu menino
e sonha com os anjos também
que eles do céu te protegem
E sorriem, dizendo amém.

(Elís Cândido/ para meu filho Caio/ novembro de 2010)

Barcos ao Vento

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Para onde vão meus semelhantes?
Para onde caminha a humanidade?
Não entendo o que eles fazem
O que eles querem
O que eles dizem

Parecem perdidos
Sem direção
Barquinhos sem rumo
Que o vento leva

O que procuram?
Será que sabem
Ou apenas velejam
E se deixam levar

Qualquer dia o vento muda de direção
E então...
O que será destes barquinhos??

(Elís Cândido/ fevereiro de 2011)