Para o novo seguidor

Gosto de festejar cada novo seguidor! A felicidade que sinto cada vez que tenho a sorte de cativar mais um seguidor é a mesma de quando ganho um presente, um agrado. Me aquece a alma. Me faz feliz.
Ter você aqui, Luiz vai ser muito bom. Gosto dos seus comentários, sempre tão delicados e sinceros.
Espero que você visite sempre o chovendoletras e que, de alguma maneira se identifique com o que vai encontrar por aqui.
Saber que tenho mais um leitor é um motivo a mais para continuar escrevendo!

Um abraço sincero.

Elís

Meu Menino Maluquinho

Ziraldo
MENINO MALUQUINHO
Tenho um primo chamado Fernando.
Fernando como alguns presidentes. Fernando como alguns sociólogos. Fernando como alguns poetas. Fernando como nenhum outro...
Pessoa fora de qualquer padrão de comportamento. Diferente de todas as que já conheci. Incompreendida por uns. Amada pela maioria.
Apelidado carinhosamente de Fernando Maluco.
Ziraldo poderia ter se inspirado nele para escrever o seu Menino Maluquinho. Ele não deixaria nada a desejar...
A sua "santa mãe", passou maus bocados tentando defendê-lo e educá-lo. Talvez defendê-lo não seja a melhor expressão, uma vez que o moleque não levava desaforos para casa. Sabia muito bem se defender sozinho.
Era mesmo uma questão de zêlo pela prole.
Fernando fez xixi na cama até sabe Deus quantos anos. Todas as manhãs assistíamos a cena daquelas cobertas, lençóis e colchão sendo carregados para o quintal. Dia após dia...
Fernando roubou frutas dos quintais dos vizinhos mais do que qualquer outro moleque da rua. Houve uma vez em que ele atravessou o Rio Paraíba a nado até uma ilha, a Ilha dos Alpes Cunha, roubando de lá algumas abóboras. Nadou de volta carregando aquilo. Levou tudo para casa e chegando lá levou uma sova, tendo que refazer o caminho e colocá-las no lugar de onde as havia tirado. Se ele colocou mesmo eu não sei. Quem irá saber?
Fernando fazia suas próprias pipas e a cola de farinha de trigo usada nelas. Sumia pelos morros do bairro empinando as tais pipas e só aparecia em casa quando bem entendia. Ou quando a fome apertava...
Fernando sabia tudo sobre a vida de todos, o que as vezes gerava alguns problemas...
Fernando não gostava de escolas. Fernando não gostava de horários estabelecidos. Fernando não gostava de regras.
Ele fazia as suas regras. Acho que a sua regra principal era SER FELIZ!
Fernando cresceu.
É um homem bom. Entende tudo de plantas, de árvores, de flores e de bichos.
Mas é ainda uma criança. Aquela. A mesma. Ruidosa e bagunçeira.
Quando chega em frente a nossa casa, meus filhos logo gritam:
- O meu Dindo chegou!
E a casa faz-se em festa, com este maluco beleza!

Há alguns dias passamos com ele um dos melhores finais de semana que já tive. Passeamos de barco, pescamos, comemos um almoço feito no fogão de lenha, contemplamos a vida, a companhia uns dos outros...
Tivemos a chance de perceber que é preciso muito pouco para sermos felizes. Que nos perdemos procurando a felicidade em objetivos inatingíveis e em bens materiais, quando ela está tão perto, tão fácil de alcançar...
Bastar ter ao seu lado aqueles que você ama. E se dedicar a amá-los também.
Basta dar e receber.

Espero que você tenha alguém assim em sua vida. Um Menino Bem Maluquinho!!!
E que possa aprender a viver com ele. A quebrar todas as regras. A lutar pelos seus ideais. A ser um maluco beleza... A ser Fernando, com F, de FELIZ!!!

(Elís Cândido/novembro de 2010)

A Praça

Praça Garcia
Tenho medo daquilo que os meus olhos verão quando se forem os tapumes.
Os tapumes, de certa forma, me protegem daquilo o que me espera lá.
Posso perceber, através de olhares furtivos, que o que me espera não me agrada...


Frios tubos.
Insensíveis blindex.
Luminárias robóticas.
Ares de modernidade.

Onde está aquela praça?
Aquela, que deu pouso ao Bandeirante.
Aquela, em cujas árvores descansou.
Aquela, que levava o seu nome.

Onde está o velho repuxo...
Que meus filhos olharam encantados
Com olhos de quem vê maravilhas!
Aquele velho repuxo, refresco e alívio
das andorinhas barulhentas no verão.
Estará lá?

Lembro bem do pequeno parquinho,
onde meus cabelos de menina
balançaram sob o vento,
nas tardes tranquilas,
depois da missa de domingo.

Naqueles bancos,
naquelas árvores,
no pequenino jardim,
ficaram segredos da minha juventude.

Onde estarão os meus segredos,
se lá não mais estiverem os bancos,
as árvores,
o jardim...
Para onde irão?

Tenho medo do que me espera
nesta praça, que já não é a minha.
Que já não traz história.
Que já não tem calor.

Uma praça que jaz.

(Elís Cândido/novembro de 2010)

Ponderações

Imagem de Daniela Conolly
Tenho uma tendência estranha de rejeitar tudo o que é modismo, tudo o que me parece meio imposto ou forçado. Não sigo tendências.
Confesso que esta minha mania as vezes me leva a cometer erros, a formular conceitos que não são verdadeiros, ou justos.
Na tentativa de não engolir o que me é imposto, fecho meus olhos para algumas coisas boas.
Foi assim com Vanessa da Matta.
Enquanto a mídia massacrava nossos ouvidos com a repetição sistemática dos seus maiores sucessos, eu teimava em não gostar do que ouvia.
Enquanto todos os programas de TV exibiam a cantora e falavam do seu notório talento, eu a classificava como "caricata". Via excessos em tudo o que ela fazia. Sua voz era chata. Sua presença de palco era exagerada...
Na verdade eu não me permitia ouvi-la verdadeiramente. O som entrava pelos meus ouvidos, mas não alcançava meu espírito.
E músicas devem ser escutadas com os ouvidos da alma.
Hoje, devo admitir meu erro e assumir que eu ADORO a Vanessa da Matta!
Sua música é pura vibração, talento, explosão de ritmos e de palavras.
A garota consegue passear entre ritmos como o reagge, o afro, a MPB pura, o samba, sem ser cansativa e sem perder a sua identidade musical.
Sua composição parece ter vida própria, ter brotado de dentro dela.
Ver Vanessa da Matta cantando, poder conhecer seu lado intérprete é como saborear uma aparição, uma divindade encarnada.
Ela se deixa dominar pelo ritmo, pela letra, pelo sentimento que a música invoca. Ela se transforma. Cresce. Fica mais bonita. Resplandece.
É inegável seu talento.
É impossível não gostar do seu trabalho.

Tenho pena de mim mesma, pelo tempo que perdi me privando de uma coisa assim tão boa.

(Elís Cândido/novembro de 2010)

Oração Particular


Senhor, me dê paciência!
Em todos os pedidos que eu Te faço,
Em todas as minhas orações,
Quando acordo e Te agradeço,
Quando me deito e Te entrego a minha alma,
Acrescenta, Senhor, um pedido de paciência.

Paciência para seguir em frente, mesmo com tantas dificuldades.
Paciência para educar meus filhos, tão arredios.
Paciência para tolerar as pessoas mesquinhas.
Paciência para não pisotear os mais fracos.
Paciência para a arrogância dos mais fortes.
Paciência para desempenhar minhas tarefas, tão banais, mas obrigatórias.
Paciência para suportar chefias sem preparo e sem noção.
Paciência para as conversas sem sentido algum.
Paciência para a incompreensão humana.
Para o descaso.
Para o desmando.
Para os que não se comprometem.
Paciência para esperar por dias melhores.
Por pessoas melhores
Por um mundo melhor.
Paciência para tolerar os meus erros.
Os meus defeitos.
A minha falta de paciência...

Ouve o pedido íntimo de um filho Teu.
Me dê paciência,
Meu Deus, paciência!

Paciência para seguir neste mundo, por motivos que só o Senhor conhece.

Amém.

Elís Cândido/novembro de 2010)