Vilarejo

Jevange
CASEBRES
"Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá

Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
(...)

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos

E essa canção
Tem o verdadeiro amor
Para quando você for"

(MARISA MONTE)

Viagem


"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: "Não há mais o que ver", sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre."

(José Saramago)

Sou água


Sou água impura
sem cura,
em busca da transparência.
Sou água escura
sem resplendência.
Mas tenho a vontade de ser
água potável ofertada
aos que têm sede, golada,
sorvida, transfigurada.
Sou a água na parede
Lacrimejante do inverno.
Sou água em vapor no inferno
a tentar fuga sem rumo.
Sou água do fio de prumo
buscando o nível da vida.
Eis-me água estremecida
pela brisa sussurante
que o espelho desalisa.
Sou água que catalisa
A energia semovente.
Sou essa água corrente
em busca do mar sem fim.
Sou chuva de tempestade,
sou garoa da cidade,
sou a gota do rocio,
sou goteira, sou o rio,
rios que tenho em mim.


(Cleto de Assis/Curitiba, publicado em Banco da Poesia)

Intermináveis Tropeços


Seria a vida um eterno CAIR e LEVANTAR, uma repetição de "LEVANTA, SACODE A POEIRA E DÁ A VOLTA POR CIMA..."?
Às vezes tenho a sensação que é exatamente assim. Cair, respirar fundo, levantar... Pra cair novamente depois.
E não adianta tentar ludibriar a sabedoria da vida, ficando sentado, sem se levantar, meio que prevenindo um outro tropeço, um outro tombo.
Se você não se levanta, ainda assim a vida te derruba, te dá uma rasteira e te leva mais para o fundo, já que você já estava mesmo na "horizontal da vida".
É preciso se reenguer!
É preciso teimar em seguir em frente. E seguir!
É preciso não viver olhando sempre pelo nosso espelho retrovisor. Temos que olhar adiante. Perseverar.
Talvez esta seja a palavra: PERSEVERANÇA.
Nem sempre aquele que vence na vida é o mais forte, o mais inteligente, o mais bonito. Não! Ás vezes é aquele que persevera!
Acho que perseverança e fé são irmãs. Palavras que caminham juntas.
É difícil acreditar que alguém sem fé possa perseverar. Ou que alguém que persevera não tenha lá algum tipo de fé.
Não queira viver toda a sua vida na horizontal. Erga-se! Verticalize-se! Acredite em você e tenha perseverança!
Você pode cair ou tropeçar hoje, mas certamente vai se reerguer mais forte, com mais sabedoria, com mais vontade de acertar e de viver.
Vai aprender que a vida fica mais leve quando se contabiliza não os tropeços e as quedas, mas cada reerguida, cada decisão de seguir em frente, cada passo caminhado rumo a um futuro melhor.
Então, erga-se, persevere, siga em frente e seja feliz!

(Elís Cândido/setembro de 2010)

Um pouco de Cor e de Beleza...

Tarsila do Amaral
MANACÁ