Intermináveis Tropeços


Seria a vida um eterno CAIR e LEVANTAR, uma repetição de "LEVANTA, SACODE A POEIRA E DÁ A VOLTA POR CIMA..."?
Às vezes tenho a sensação que é exatamente assim. Cair, respirar fundo, levantar... Pra cair novamente depois.
E não adianta tentar ludibriar a sabedoria da vida, ficando sentado, sem se levantar, meio que prevenindo um outro tropeço, um outro tombo.
Se você não se levanta, ainda assim a vida te derruba, te dá uma rasteira e te leva mais para o fundo, já que você já estava mesmo na "horizontal da vida".
É preciso se reenguer!
É preciso teimar em seguir em frente. E seguir!
É preciso não viver olhando sempre pelo nosso espelho retrovisor. Temos que olhar adiante. Perseverar.
Talvez esta seja a palavra: PERSEVERANÇA.
Nem sempre aquele que vence na vida é o mais forte, o mais inteligente, o mais bonito. Não! Ás vezes é aquele que persevera!
Acho que perseverança e fé são irmãs. Palavras que caminham juntas.
É difícil acreditar que alguém sem fé possa perseverar. Ou que alguém que persevera não tenha lá algum tipo de fé.
Não queira viver toda a sua vida na horizontal. Erga-se! Verticalize-se! Acredite em você e tenha perseverança!
Você pode cair ou tropeçar hoje, mas certamente vai se reerguer mais forte, com mais sabedoria, com mais vontade de acertar e de viver.
Vai aprender que a vida fica mais leve quando se contabiliza não os tropeços e as quedas, mas cada reerguida, cada decisão de seguir em frente, cada passo caminhado rumo a um futuro melhor.
Então, erga-se, persevere, siga em frente e seja feliz!

(Elís Cândido/setembro de 2010)

Um pouco de Cor e de Beleza...

Tarsila do Amaral
MANACÁ

Envelhecendo...


Envelhecer não é fácil...
Como fazer para me acostumar com este novo rosto que teima em aparecer diante do espelho? E estas novas formas, este novo corpo?
Tenho que conviver com alguém que não sou eu. Ou sou?!
Assisti um filme maravilhoso, chamado Tomates Verdes Fritos e uma das personagens tem uma fala que me atingiu em cheio. Ela dizia algo mais ou menos assim: Sou jovem demais para ser velha e velha demais para ser jovem...
É assim que me sinto hoje!
Como posso ser velha, uma coroa, tia, como dizem os amigos dos meus filhos, se ainda me sinto tão nova?
Ao mesmo tempo, já não posso mais ter certos comportamentos porque não sou mais uma garotinha de 19 anos. Até minha maneira de vestir e de falar já não pode mais ser a mesma...
Acho que estou vivendo uma segunda adolescência! É tão difícil me enquadrar nesta nova fase da vida. Eu não quero ser velha! Não me sinto velha! Mas também já não posso mais ser quem eu era antes. Por que eu ERA, não sou mais.
A sociedade é cruel conosco. Ela cobra, rotula, exige...
Quero poder envelhecer a meu tempo. Quero poder ser quem eu sou. Quem eu sinto que sou.
Não vou mudar a minha vida apenas para me adequar aos padrões.
Vou achar um meio termo.
E ser uma mulher madura e feliz!

Elís Cândido (setembro de 2010)

O tempo e as jabuticabas


“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir
estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas
não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a
essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta
com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.”

O essencial faz a vida valer a pena.

Rubem Alves

Ódio


Ódio por Ele? Não... Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto,
Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Com um soturno e enorme Campo Santo!
Nunca mais o amar já é bastante!
Quero senti-lo doutra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!
Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda!
Ódio por Ele? Não... não vale a pena...

Florbela Espanca