Amo-te


O amor que eu tenho em você
Acho que ninguém mais tem
O amor que faço com você
Não faço com mais ninguém

Amo seu peito
Seu pelo
Seu cheiro
Amo seu corpo quente
Roçando em mim

Amo o toque dos seus dedos
e até os calos das suas maõs

Seus cabelos crespos
Grisalhos
Este sorriso morno
E o olhar manso

Conheço seus pensamentos
E o seu jeito de andar

Você é meu porto seguro
Minha loucura
E tentação
Minha metade
Meu oposto

Não há lugar algum
Onde mais eu queira estar
Que aqui amando você
E deixando você me amar.

(Elís Cândido/12 de agosto de 2010)

A vida no morro

Tarsila do Amaral
MORRO DA FAVELA
Morar no morro é bom. O povo daqui é gente humilde, trabalhadora, gente boa. É bom poder ouvir o vento brigando com as folhas das palmeiras, os gritos das maritacas em revoada, o apito triste do trem e a farra da molecada nos dias de pipas.
Nas tardes quentes de verão, as comadres e compadres sentam-se nos portões até o anoitecer, falando da vida alheia, falando da própria vida, falando das novelas, dos filhos, dos maridos, do futebol... Assuntos não faltam numa rodinha lá do morro. Não há nada que escape das matraqueiras de plantão. Quer saber das novidades? Apareça numa rodinha lá do morro...
No outono tem sempre frutas para alegrar a meninada. Tem goiaba, tem abacate, acerola, tem banana, jabuticaba, tem manga e cana também. Umas frutas se ganha, outras se rouba no pé. Coisas boas do morro!
A boa gente lá do morro não se fantasia. Cada um é aquilo que é, sem tirar nem por. Não precisamos fingir, todos sabem quem somos, todos se conhecem, todos compartilham das mesmas realidades. É claro que todo morro tem sempre uma "Conceição", como aquela da música do Calby Peixoto. Uma pessoa que vive travestida de madame, que não cumprimenta ninguém, que finge ser o que não é, mas não engana ninguém. Não aqui no morro... Mas este tipo é caso raro e serve para assunto nas rodinhas de portão.
Festa no morro é churrasco, com cerveja e (pasmem) vinho tinto bem gelado! Animação é o que não falta! E nem foguetes. No morro a gente solta fogos no Natal, na vitótia do time do coração, no Carnaval, no Ano Novo, no dia do Santo Padroeiro... Tudo é motivo para foguetório!
Cachorro aqui é comum. Toda casa tem um. Algumas casa tem dois ou três. Na minha casa temos cinco. Acho que a gente tem amor de sobra...
As travessas e bandejas passeiam de casa em casa. Tudo que a gente faz, divide. Vou levar um pedacinho para a Dona Cecília... e a vasilha nunca volta para casa vazia. Coisas do morro.
E estas coisas fazem do morro um lugar bom de se viver. Um lugar onde o tempo passa devagar, onde a vida é morna e colorida como as tardes de verão.
Morar no morro é bom!

(Elís Cândido/ 11 de agosto de 2010)

Um pouco de cor e de beleza...

Tarsila do Amaral
O PESCADOR

Para a nova seguidora

Que bom ter você aqui também! Espero que goste do que vai encontrar por aqui. São pensamentos, sentimentos, imagens e palavras que fazem parte da minha vida. Algumas palavras são minhas, outras eu gosto de ler e resolvi dividir este prazer, postando no blog... É bom poder partilhar tudo isso com você. Seja bem vinda!

Uma questão de escolha


Nossa vida é feita de escolhas. Temos que escolher o tempo todo, e cada escolha nos leva a um caminho diferente. Nunca vamos saber como seria nossa vida se tivéssemos escolhido caminhar por outros rumos, que não estes que trilhamos agora.
Tudo é sempre uma questão de escolha.
Algumas vezes nós fazemos nossas escolhas de maneira inconsciente. Nos deixamos seguir, levar, fingimos não estar escolhendo, tentamos não nos responsabilizar. Mas a verdade é que estamos sempre escolhendo.
Escolhemos o que comer, o que vestir, o que dizer, o que fazer. Escolhemos isto ou aquilo.
Escolhemos as cegas. Não há como saber onde cada escolha vai dar. Se vai dar certo ou se vai dar errado. Algumas vezes, uma vozinha dentro da gente avisa: Não faça isto! Não vá por aí! Uns chamam isto de sexto sentido, outros de intuição, outros de Divino Espírito Santo... A verdade é que, na maioria das vezes em que não ouvimos o que diz esta santa vozinha, nós nos damos mal. Aí vem aquela velha frase: Eu devia ter ouvido a minha intuição...
Tarde demais. Escolha feita, caminho sem volta!
Existem escolhas insanas, quase suicidas. Aquelas que a gente sabe que não vão dar certo. Casar com um fanfarrão, fazer coisas ilegais, dirigir embriagado... O final todos já sabem... Todos, menos o tolo que está fazendo as escolhas.
Temos que tentar fazer o que é certo. Escolher o que é melhor. Temos que escolher.
Eu escolho ser feliz. Escolho ter amigos. Escolho ser fiel aos meus pensamentos. Escolho fazer o bem. Escolho ser quem eu sou. Escolho fazer sempre o melhor, da melhor maneira... Acho que, se nestas pequenas coisas eu fizer as escolhas certas, a vida vai me guiar para caminhos onde jamais imaginei que pudesse chegar.
Faça suas escolhas! Não deixe que alguém faça isto por você. Pense, decida, lute, acredite nos seus ideais, naquilo que é importante para você! Seja fiel aos seus princípios, as suas crenças, aos seus amigos e amores... Escolha o que te faz feliz. Escolha VOCÊ!

(Elís Cândido/agosto de 2010)