Ouvi no jornal que lá para os lados das Minas Gerais, num lugar onde do céu só caíam grossas gotas de chuva, agora estão caindo pedras. Meteoritos.
Dizem que são pedaços de Marte.
Minha mãe não acredita. Ela diz que é tudo balela. Que só acredita vendo. Já eu, não sei se quero ver... Melhor saber pela TV. É mais seguro.
Me lembrei do desenho do galinho "Tchicken Little": O céu está caindo! O céu está caindo! Meu filho teve um pesadelo e correu para minha cama. Com certeza a história da pedras que caem do céu ficou gravada dentro dele.
Seu coração de criança teve medo e eu é que pago o pato! Outra noite sem dormir...
De qualquer modo, se o mundo estiver mesmo acabando e o céu estiver caindo, melhor mesmo é ficar assim, na minha cama, com meu moleque de um lado, minha filha dormindo e minha mãe lá no quarto dela, rezando pra que seja mentira...
(Elís Cândido/ 04 de agosto de 2010)
Insana

queria voltar a ser o que eu era antes
antes de ser qualquer coisa
quando era ainda um nada
quando eu era apenas EU
queria não saber tudo o que sei
não ter aprendido o que aprendi
não ter conhecido o mundo
queria voltar a ser EU
na verdade
o que aprendi foi um erro
o que conheci não me agrada
o que sei não tem valor
de que valem tantos anos de escola?
uma vida inteira de "aprendizados"?
se estes valores não são os meus,
se o que sei não me interessa
queria voltar ao nada
resgatar minha inocência
voltar ao útero,
a mater
e renascer!
queria
e não posso
não tem jeito
vou ter que me aceitar
posso me reinventar
fingir que sou o que não sou
que penso o que não penso
que gosto do que não gosto
mas aí
não vou ser EU
vou me perder de mim
do mesmo jeito...
melhor deixar como está
(Elís Cândido/ 05 de agosto de 2010)
FLIP Festa Literária Internacional de Paraty
Novo Tempo

passado o vendaval,
será outra paisagem.
varrida a sequidão das folhas mortas,
por tanto tempo fazendo as vezes de chão,
escondendo a boa terra, fértil e rica.
quebrados retirados os galhos mortos,
feios porque mortos,
tudo brotará.
será a grande estação.
a melhor delas,
brotação de terra madura,
generosa e fecunda
em seiva, cores, cheiros.
seu caminho.
meu caminho.
seu chão e o meu.
então, sem nenhuma dor,
terá passado o vendaval.
(Lília Sertã Junqueira, do livro Instantâneos)
Os sapatos de Van Gogh
![]() |
| Van Gogh |
Quantas andanças caberiam neste simples par de sapatos... quanta história...
De tanto admirar a imagem, chego a encontrar características humanas neste objeto. Objeto. Coisa. Matéria sem vida. Mas chego a ver nestes sapatos uma humildade, um cansaço, uma relação de compreensão, de cumplicidade...
Que significados teriam estes sapatos para ele?
Pelos sapatos pode-se dizer muito do dono, se é conservador ou arrojado, se cuidadoso ou desleixado, se pensa em conforto ou aparência...
Que dizer então do dono destes sapatos, tão surrados, tão assimetricamente largados.
De quem seriam os sapatos? Talvez não dele, mas de alguém que, este sim tivesse suma importância. Talvez ao retratar o sapato ele buscasse apenas publicizar algo desta pessoa... Talvez, talvez.
Talvez estivesse cansado de rostos. De sorrisos. De musas. De pessoas.
Quem sabe?
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