Li um dia




Li um dia, não sei onde,
Que em todos os namorados
Uns amam muito, e os outros
Contentam-se em ser amados.

Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado...
Digo pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?


(Florbela Espanca)

Frases e Pensamentos...

"Viver é inadiável.
Dizer a vida é, muitas vezes, a forma de suportá-la.
Gritar a dor e o prazer, gemer a dúvida e a angústia, sussurrar a ternura, uivar a solidão e o medo...
Dizer é falar com o outro. O grito, o sussurro, o gemido, o uivo, nada são, se não há quem os ouça..."



(Trecho do Prefácio do livro Instantâneos, de Lília Sertã Junqueira)

Sobre palavras e imagens...

Claude Monet
MADAME MONET AND HER
Quem visita este blog ou me conhece um pouquinho, sabe do meu amor pelas PALAVRAS. Aliás, elas foram o motivo maior da criação deste blog. Externar sentimentos, pensamentos, transformá-los em palavras e compartilhá-los. Mas, Santo Agostinho já dizia, em sua vasta sabedoria, que "O mundo é livro. Quem não sai de casa vive apenas uma página". Sendo assim, decidi sair de casa, abandonar minha aldeia e me aventurar por outros lugares, outros caminhos.
Não vou abandonar as palavras. Não! Vou apenas tentar experimentar outras formas de compartilhar a beleza, dividir sensações... Afinal, há coisas tão belas neste mundo que não podem ser traduzidas em palavras, precisam ser vistas, admiradas, sentidas, compreendidas. Em alguns momentos, aqui no blog, vou postar reproduções de pinturas de artistas famosos, belíssimas, dignas de publicidade e admiração. Gosto muito de Arte. Não acho que seja preciso entender de arte para entender a arte. A beleza fala por si. Ela é capaz de romper barreiras, aproximar universos.
Então, não se espante se, entre uma ou outra leitura, você se deparar com uma imagem apenas. Observe-a. Faça sua leitura. Admire sua beleza.
Vai valer a pena, pode acreditar!

(Elís Cândido/julho de 2010)

De quem é a responsabilidade?


É comum caminharmos pelas cidades e nos depararmos com animais errantes, abandonados. Para os que amam os animais, segue-se uma sensação de dó e de impotência, já que não podemos levar todos eles para casa, cuidar e proteger. Para os que não compartilham deste amor, surge o incômodo, o nojo e muitas vezes, a violência.
Mas de quem é a responsabilidade sobre os animais de rua?
O que observamos atualmente é a atuação, ainda tímida, das ONG'S, da união de esforços de algumas pessoas, enfim, do terceiro setor.
Mas e a responsabilidade do poder público? Onde fica? Inexiste?
Entendo que a questão destes animais é sim uma questão de saúde pública. Deveria constar das agendas dos ilustres prefeitos e governadores, já que uma animal de rua pode ser vetor de inúmeras doenças, sem se levar em conta a questão do bem estar do próprio animal.
Investe-se tantos milhões em obras inúteis, que servem apenas para massagear o ego dos senhores políticos. Porque não investir também em campanhas maciças de esterelização e controle da reprodução, abrigos, campanhas de adoção, saúde e bem estar, voltadas para estes animais?
É preciso conscientizar nosso políticos e cobrar deles as atitudes necessárias.
É preciso também que tenhamos consciência da responsabilidade que assumimos ao adquirir um animal de estimação, já que este ficará dependente dos nossos cuidados durante toda a sua vida. E animais vivem muito!
Não podemos nos eximir das nossas responsabilidades, assim como não podemos deixar de cobrar atitudes dos nossos governantes.
Vamos dar voz a quem não pode falar, se defender. Vamos tentar nos unir por um ambiente melhor e mais saudável. Para todos nós.

(Elís Cândido/julho de 2010)

Os Pessimistas




Certa vez, um poderoso rei, para comemorar o aniversário de seu amado filho, resolveu fazer uma grande festa para todos os seus súditos. Entre as muitas atrações do evento, havia um desafio que a todos interessou: era "a escalada ao poste". No alto de um gigantesco mastro havia uma cesta repleta de ouro e de comida. Aquele que conseguisse alcançar o topo daquele poste poderia se deliciar com a comida e pegar para si todo o ouro. Muitos dos que estavam presentes, pretendiam participar daquele desafio. Quando o rei autorizou, foi dado início à prova.

O primeiro a participar foi um rapaz alto e forte. Ele tomou uma distância curtíssima e começou a subir no poste. Não chegara nem à metade, quando, cansado e irritado, desistiu. Enquanto descia, dizia que o poste era alto demais e que não havia nenhuma possibilidade de que alguém alcançasse o prêmio.

Blasfemava baixinho para que seus queixumes não fossem ouvidos pelo rei, mas sugeriu àqueles que se aproximavam dele que não tentassem, a fim de que o rei se visse obrigado a diminuir o tamanho do mastro. Alguns súditos, influenciados pelas palavras do jovem, sentiram-se decepcionados com o rei e foram embora cabisbaixos e choramingando. Outros proferiram contra o rei palavras de desapontamento.

De repente, porém, do meio da multidão surgiu um garotinho muito magro e de aparência franzina. Tomou distância, aproveitando o tumulto criado pelo jovem rapaz que o antecedera, e, correndo como o vento, iniciou sua subida no mastro. Na primeira tentativa não teve êxito. Quando se preparava para tentar novamente, as pessoas ao redor gritavam: "desista! Desista!". Mesmo assim ele persistiu. Parecia mais convicto do que da primeira vez. Afastou-se e, com energia, agarrava-se ao mastro, ganhando altura com muito empenho. Minutos depois, após ter realizado indescritível esforço, o garoto, diante do olhar admirado de todos, atingiu o topo e a cesta repleta de ouro e comida. Alguns o aplaudiram; outros, incrédulos, comentavam a proeza.

O rei, admirado pela determinação do vencedor, imediatamente foi procurar o pai do garoto para buscar uma explicação sobre o ocorrido.
"Meu senhor, como pôde esse menino, tão pequeno e fraco, alcançar um objetivo tão difícil, enquanto todos o instigavam a desistir?" - questionou curioso o soberano.
Sorrindo, com o filho nos braços, o pai esclareceu: "duas coisas motivaram o meu filho a agir da forma como agiu: a primeira é a fome, porque há dias o pobre não come nada. E a segunda é porque ele é surdo, e não ouviu nenhuma das palavras desencorajadoras que lhe foram dirigidas."

->> Muitas são as razões que podem nos motivar a buscar nossos objetivos. Algumas delas são nobres e dignas, outras emergenciais e até mesmo casuais. Em verdade, o mais importante é que tenhamos metas definidas e firme disposição para persistir sempre.
Distinguir as palavras de orientação das palavras de desestímulo nem sempre é tarefa fácil. Usemos, portanto, o bom senso e o discernimento para saber insistir no que realmente vale a pena, sem nos deixar acovardar pelos discursos pessimistas!!!



(Retirado do site: www.velhosabio.com.br)