Sobre palavras e imagens...

Claude Monet
MADAME MONET AND HER
Quem visita este blog ou me conhece um pouquinho, sabe do meu amor pelas PALAVRAS. Aliás, elas foram o motivo maior da criação deste blog. Externar sentimentos, pensamentos, transformá-los em palavras e compartilhá-los. Mas, Santo Agostinho já dizia, em sua vasta sabedoria, que "O mundo é livro. Quem não sai de casa vive apenas uma página". Sendo assim, decidi sair de casa, abandonar minha aldeia e me aventurar por outros lugares, outros caminhos.
Não vou abandonar as palavras. Não! Vou apenas tentar experimentar outras formas de compartilhar a beleza, dividir sensações... Afinal, há coisas tão belas neste mundo que não podem ser traduzidas em palavras, precisam ser vistas, admiradas, sentidas, compreendidas. Em alguns momentos, aqui no blog, vou postar reproduções de pinturas de artistas famosos, belíssimas, dignas de publicidade e admiração. Gosto muito de Arte. Não acho que seja preciso entender de arte para entender a arte. A beleza fala por si. Ela é capaz de romper barreiras, aproximar universos.
Então, não se espante se, entre uma ou outra leitura, você se deparar com uma imagem apenas. Observe-a. Faça sua leitura. Admire sua beleza.
Vai valer a pena, pode acreditar!

(Elís Cândido/julho de 2010)

De quem é a responsabilidade?


É comum caminharmos pelas cidades e nos depararmos com animais errantes, abandonados. Para os que amam os animais, segue-se uma sensação de dó e de impotência, já que não podemos levar todos eles para casa, cuidar e proteger. Para os que não compartilham deste amor, surge o incômodo, o nojo e muitas vezes, a violência.
Mas de quem é a responsabilidade sobre os animais de rua?
O que observamos atualmente é a atuação, ainda tímida, das ONG'S, da união de esforços de algumas pessoas, enfim, do terceiro setor.
Mas e a responsabilidade do poder público? Onde fica? Inexiste?
Entendo que a questão destes animais é sim uma questão de saúde pública. Deveria constar das agendas dos ilustres prefeitos e governadores, já que uma animal de rua pode ser vetor de inúmeras doenças, sem se levar em conta a questão do bem estar do próprio animal.
Investe-se tantos milhões em obras inúteis, que servem apenas para massagear o ego dos senhores políticos. Porque não investir também em campanhas maciças de esterelização e controle da reprodução, abrigos, campanhas de adoção, saúde e bem estar, voltadas para estes animais?
É preciso conscientizar nosso políticos e cobrar deles as atitudes necessárias.
É preciso também que tenhamos consciência da responsabilidade que assumimos ao adquirir um animal de estimação, já que este ficará dependente dos nossos cuidados durante toda a sua vida. E animais vivem muito!
Não podemos nos eximir das nossas responsabilidades, assim como não podemos deixar de cobrar atitudes dos nossos governantes.
Vamos dar voz a quem não pode falar, se defender. Vamos tentar nos unir por um ambiente melhor e mais saudável. Para todos nós.

(Elís Cândido/julho de 2010)

Os Pessimistas




Certa vez, um poderoso rei, para comemorar o aniversário de seu amado filho, resolveu fazer uma grande festa para todos os seus súditos. Entre as muitas atrações do evento, havia um desafio que a todos interessou: era "a escalada ao poste". No alto de um gigantesco mastro havia uma cesta repleta de ouro e de comida. Aquele que conseguisse alcançar o topo daquele poste poderia se deliciar com a comida e pegar para si todo o ouro. Muitos dos que estavam presentes, pretendiam participar daquele desafio. Quando o rei autorizou, foi dado início à prova.

O primeiro a participar foi um rapaz alto e forte. Ele tomou uma distância curtíssima e começou a subir no poste. Não chegara nem à metade, quando, cansado e irritado, desistiu. Enquanto descia, dizia que o poste era alto demais e que não havia nenhuma possibilidade de que alguém alcançasse o prêmio.

Blasfemava baixinho para que seus queixumes não fossem ouvidos pelo rei, mas sugeriu àqueles que se aproximavam dele que não tentassem, a fim de que o rei se visse obrigado a diminuir o tamanho do mastro. Alguns súditos, influenciados pelas palavras do jovem, sentiram-se decepcionados com o rei e foram embora cabisbaixos e choramingando. Outros proferiram contra o rei palavras de desapontamento.

De repente, porém, do meio da multidão surgiu um garotinho muito magro e de aparência franzina. Tomou distância, aproveitando o tumulto criado pelo jovem rapaz que o antecedera, e, correndo como o vento, iniciou sua subida no mastro. Na primeira tentativa não teve êxito. Quando se preparava para tentar novamente, as pessoas ao redor gritavam: "desista! Desista!". Mesmo assim ele persistiu. Parecia mais convicto do que da primeira vez. Afastou-se e, com energia, agarrava-se ao mastro, ganhando altura com muito empenho. Minutos depois, após ter realizado indescritível esforço, o garoto, diante do olhar admirado de todos, atingiu o topo e a cesta repleta de ouro e comida. Alguns o aplaudiram; outros, incrédulos, comentavam a proeza.

O rei, admirado pela determinação do vencedor, imediatamente foi procurar o pai do garoto para buscar uma explicação sobre o ocorrido.
"Meu senhor, como pôde esse menino, tão pequeno e fraco, alcançar um objetivo tão difícil, enquanto todos o instigavam a desistir?" - questionou curioso o soberano.
Sorrindo, com o filho nos braços, o pai esclareceu: "duas coisas motivaram o meu filho a agir da forma como agiu: a primeira é a fome, porque há dias o pobre não come nada. E a segunda é porque ele é surdo, e não ouviu nenhuma das palavras desencorajadoras que lhe foram dirigidas."

->> Muitas são as razões que podem nos motivar a buscar nossos objetivos. Algumas delas são nobres e dignas, outras emergenciais e até mesmo casuais. Em verdade, o mais importante é que tenhamos metas definidas e firme disposição para persistir sempre.
Distinguir as palavras de orientação das palavras de desestímulo nem sempre é tarefa fácil. Usemos, portanto, o bom senso e o discernimento para saber insistir no que realmente vale a pena, sem nos deixar acovardar pelos discursos pessimistas!!!



(Retirado do site: www.velhosabio.com.br)

Lembranças


Conheci um dia uma grande mulher. Digna de se admirar. Uma mente brilhante, pensamento à frente de seu tempo.
Determinação e atitude.
Mulher de poucas crenças (será?). Cética. Como todo intelectual se diz ser.
Afinal, como crer naquilo que não se pode explicar? Como aceitar o que a ciência e a inteligência humana não são capazes de comprovar?
Determinação e atitude.
Uma mulher guiada por instintos.
Aprendi muito com ela. O tempo em que pudemos conviver foi um tempo de aprendizado. Havia todo um universo desconhecido, quase inexistente para mim. Conhecimentos, informações, cultura. Havia muito o que aprender.
Mas ela era dura. Quase inoxidável.
Determinação e atitude.
Tão próxima e tão distante.
Tão certa das suas convicções.
Tão improvável na arte das relações. No contato humano.
Não sei ao certo se ela era quem realmente era. Se era quem eu pensava que era. Se era quem ela achava que era.
Sei que ela foi importante.
Ao menos para mim.


(Elís Cândido/julho de 2010)

Mutação



Quem é você?
Quem é esta pessoa em quem você se transformou? Olho para dentro de você e não te vejo. Não te encontro.
Onde está aquela menina, tão pequena e indefesa? Onde foi tua doçura? O que fez dos teus abraços, que eram meus...
Quem é você?
O que pensa? O que sente? Para quê tanta arrogância? E este ego sem tamanho... De onde veio tudo isto?
Será que estava tudo aqui e eu não via?
Será que você já era assim e eu não sabia?
Sinto que nada do meu mundo te encanta. Meus valores não têm sentido. Meu esforço não te agrada...
Será que eu também fui assim, este ser em mutação? Este alguém que não se entende, este conflito ambulante?
Esta tal adolescência!
Porque você não volta? Não pede colo? Ainda posso te proteger...
Mas, se preferir andar sozinha, escolha bem os caminhos. Lembre-se de quem você é. Daquilo que te ensinei. Não se deixe levar por falsos valores.
Se preferir andar sozinha, pode ir. É o teu caminho. Não posso caminhar por você.
Posso apenas confiar. E aguardar.
Eu te espero.
Espero você crescer. Se livrar deste casulo que te impede de ver quem você realmente é. O que realmente tem valor. Descobrir que a menina tão bonita, de uma alma tão pura, ainda mora em ti. Está apenas perdida. Escondida. Está aí, esperando que você se reencontre com ela.
Eu também espero. Estou aqui.
E vou estar sempre.

(Elís Cândido/julho de 2010)