Canção da estrela murmurante




Nós nos amaremos docemente,
Nesta luz, neste encanto, neste medo:
Nós nos amaremos livremente
No dia marcado pelos deuses.

Nós nos amaremos com verdade
Porque estas almas já se conheciam:
nós nos amaremos para sempre
Além da concreta realidade.

Nós nos amaremos lindamente,
nós nos amaremos como poucos.
No teu tempo.


(Lya Luft)

A chuva de ontem


Ontem à noite choveu. Fazia tempo que não chovia... O ar estava seco e o vento sufocava.
Mas, ontem à noite, finalmente, choveu. Foi uma chuva mansa, que caiu em paz e sem fazer estragos.
As palmeiras da minha rua avisaram que a chuva viria. Elas balançaram nervosas, com suas folhas estalando no vento.
Da janela do quarto pude ver as nuvens escorregando agitadas pelo céu e os clarões amarelados dos relâmpagos.
Não tive medo. Não tenho medo de chuva. Tenho medo do vento! Ele sim me assusta.
Choveu a noite inteira. As folhas da minha velha goiabeira, já meio cansadas de tanta estiagem, receberam felizes aquelas gotas de chuva.
Pela minha janela eu pude sentir o cheiro bom da terra molhada e da natureza agradecida.
Meu filho, medroso, dormia ao meu lado, agarrado em minha mão.
E a chuva caía lá fora...
Não sei por quanto tempo fiquei ali, apenas olhando o sono daquele pequeno homenzinho e ouvindo as gotas de chuva cairem... Adormeci em paz!
Acordei num dia de céu limpo, de natureza de alma lavada e de maritacas fofoqueiras gritando pelo ar.
Nas minhas orações de toda manhã, pude pensar como Deus é bom, a vida é bela e infeliz é aquele que passou indiferente por esta noite de chuva!

Chegou ao Final?!


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: NÃO podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torne-se uma pessoa melhor e assegure-se de que sabes bem quem é você mesmo, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem você é...
E lembre-se:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.

(Fernando Pessoa)

O Filho Preferido




Certa vez perguntaram
a uma mãe qual era o
seu filho preferido,
aquele que ela mais amava.

E ela deixando entrever um
sorriso respondeu:
"Nada é mais volúvel que
um coração de mãe."

E como mãe lhe respondo:

O filho dileto o que mais
amo é " aquele a quem
me dedico de corpo e
alma".

É o meu filho doente,
até que SARE.

O que partiu, até que VOLTE.

O que está cansado, até que
DESCANSE.

O que está com fome, até
que se ALIMENTE.

O que está com sede, até
que BEBA.

O que está estudando, até
que APRENDA.

O que está nu, até que
se VISTA.

O que não trabalha, até
que se EMPREGUE.

O que namora, até que
se CASE.

O que é pai, até que
os CRIE.

O que prometeu, até
que se CUMPRA.

O que deve, até que
PAGUE.

O que chora, até que
se CALE.

E já com o semblante
bem distante daquele
sorriso, completou:

O que já me deixou, até
que eu REENCONTRE.

Amo à todos por igual
Intensamente.
O Preferido é aquele que,
no momento, está precisando
de maior carinho e atenção

Meus filhos...
Meu maior orgulho.


(Retirado do blog:Pelo Caminhos da Vida/desconheço autoria)

Eu acho...


Eu acho e estou sempre achando...
Não tenho culpa por ser assim
Acho que isto é certo
Que aquilo é errado
Que ela é mentirosa
Que ele é está enganado
Não tenho culpa de achar.
E de viver deste "achismo".
Meu problema é FALAR:
Minha língua, meu abismo!

Se, pelo menos eu achasse
E conseguisse me calar
Seria tudo bem mais fácil
Daria até pra disfarçar!
Mas, o problema é que eu falo
O que me vier à cabeça.
Se eu penso, sai pela boca
E não há nada que impeça.

Este achismo vem de longe
E já faz parte do meu ser
Quem quiser viver comigo
Terá que compreender
Acho até que isso é normal!
Que não faz mal a ninguém
Vou achando sem parar...
Afinal, o que é que tem?!